Os erros mais comuns

Depois de anos revisando monografias, teses de doutorado, dissertação de mestrado, artigos científicos e livros, quando me perguntam quais os erros encontrados com mais frequência nesses textos, tenho dificuldade de responder.

Na verdade, a gama de erros é variada. Em termos de quantidade, sem dúvida, levam o “prêmio” a pontuação e a acentuação. Mas estes são, geralmente, erros menos relevantes, muitas vezes resultantes de distração ou de problemas de digitação. Dentre os deslizes mais graves, são comuns as falhas de concordância nominal e verbal. A impropriedade vocabular não é evento dos mais numerosos, mas aparece sempre – todo texto tem um ou outro vocábulo empregado impropriamente. Por fim, há os erros na estrutura da frase, que muitas vezes acabam por gerar sentenças ininteligíveis. Continue reading “Os erros mais comuns”

Afinal, revisar por quê?

Imagine alguém que goste (e entenda) muito de risoto. Nosso gourmand vai a um restaurante de grande prestígio, cuja cozinha é dirigida por um chef de renome internacional, e pede seu prato predileto: risoto de camarão. Ao recebê-lo na mesa, tudo parece perfeito: o aroma, a textura do camarão, os condimentos, o gosto delicioso… Entretanto, enquanto refestela o paladar, mastigando o arroz cozido no ponto perfeito, nosso personagem encontra, cá e lá, de vez em quando, uma pedrinha. As incômodas mordidas nos pedacinhos duros certamente o irritariam a ponto de ele desqualificar o cozinheiro e nunca mais voltar ao restaurante, por mais refinado que fosse o sabor da iguaria, por maiores que fossem as qualidades dos ingredientes. Continue reading “Afinal, revisar por quê?”

Dicas de produtividade de um escritor.

Se você gosta de escrever contos ou romances acho que vai gostar do que relaciono abaixo. São algumas das práticas que, como escritor, adoto no dia-a-dia. São também hábitos profissionais positivos de outros escritores que acabei incorporando na minha atividade. Mas lembre: não são verdades absolutas. Funcionam para mim. Continue reading “Dicas de produtividade de um escritor.”

Quando Rastro brigou com Avanço.

“Marchioro, pereaí. Só mais uma pergunta. É verdade que o escritor só publica para não ter mais que revisar o texto?” Noite de sexta-feira, 22:45, inverno, no estacionamento da Universidade Positivo em Curitiba. Sem me virar reconheci a voz. Boa aluna. Criativa. Culta. Dedicada. Pensei: “Duvido que seja só uma pergunta”. Enquanto abria o carro e jogava minha bagulhada no banco traseiro, ela veio na minha direção, arrumando o capuz do casaco para proteger-se do frio. Continue reading “Quando Rastro brigou com Avanço.”

Uma técnica jornalística no primeiro contato

A técnica da pirâmide invertida é a mais utilizada no jornalismo diário. Chama-se assim em virtude da forma com que as informações são hierarquizadas no texto. Os dados mais importantes devem estar disponíveis ao leitor no início do texto e os demais, em seguida, em ordem decrescente de importância. Aplica-se a técnica respondendo, de preferência no primeiro parágrafo, as perguntas: Quem? O que? Como? Quando? Onde? Por quê? O propósito é rebitar o leitor no seu texto indo direto ao ponto de maior interesse, traçando uma linha direta do “geral” para o “específico”. Continue reading “Uma técnica jornalística no primeiro contato”

Faça-se um favor, revise seu texto!

Existem dois tipos de pessoas: aquela que é paranóica com revisões e aquela que não revisa o suficiente. A qual categoria você pertence? Antes de responder saiba que estes extremos são prejudiciais ao seu texto.

A palavra chave aqui é “extremos”. Escritores são membros de uma raça diferente. Existem tantas variações de comportamento, técnica, abordagem e linguagem que às vezes penso que somos uma raça de “raças distintas”. Continue reading “Faça-se um favor, revise seu texto!”

Os Maus e Velhos Tempos

Escritores do Século XIX usavam artifícios de enredo que hoje não convencem os leitores.

O romance mudou nos últimos 150 anos. Isso deveria ser óbvio (o que não mudou em 150 anos?). No entanto, novos escritores estruturam seus livros baseados nos mestres do século XIX, como Charles Dickens ou José de Alencar. Sem dúvida que temos muito a aprender com o vigor, ritmo, e drama nos textos destes autores, mas existem ciladas na imitação pura e simples destes “efeitos especiais”. Quando o romance ainda era uma novidade, podia-se cometer certos excessos que, na posição de escritores do século 21, não podemos. Aqui estão três armadilhas e como proceder para não cair nelas. Continue reading “Os Maus e Velhos Tempos”

Escritor interrompido

Às vezes, quando estou trabalhando, sou interrompido inúmeras vezes por hora. A cada cinco minutos mais ou menos, o telefone toca (“O senhor não quer se tornar doador registrado no hemobanco?”), a diarista vem fazer o relatório do aspirador de pó (“Pois é seu Fábio, ele tá esquentando e não puxa nada!”) ou uma das nossas gatas vem pedir atenção (“…prrrr… miauu!”). Mas, como alguns dos exemplos acima (hemobanco e a gata), algumas interrupções são importantes. Ou pelo menos, para mim, tão importantes quanto o texto no qual estou trabalhando (ou pelo menos tentando trabalhar). Continue reading “Escritor interrompido”